
CAMPO MOURÃO – Em uma resposta extremamente rápida e coordenada, a Polícia Civil de Campo Mourão, por meio da 16ª Subdivisão Policial (SDP), elucidou completamente o grave atentado a tiros que chocou a cidade na última sexta-feira (17). Em menos de 72 horas de investigação ininterrupta, as autoridades identificaram o autor, apreenderam a arma do crime, rastrearam a motivação e garantiram a internação judicial do atirador, um adolescente de 15 anos.
Os detalhes da elucidação do crime foram apresentados pela delegada titular, Lais Alves, em entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (20).
Resolução Célere e Rendição do Atirador
O trabalho investigativo asfixiou as rotas de fuga do atirador. Diante do cerco policial montado desde a madrugada do crime — que já havia resultado na prisão em flagrante da mãe do suspeito e no isolamento de um arsenal de dinamites —, o adolescente de $15\text{ anos}$ apresentou-se espontaneamente na delegacia acompanhado de sua defesa técnica.
O menor confessou integralmente a autoria dos disparos e entregou a arma utilizada no crime: uma pistola calibre $9\text{ mm}$, que pertencia ao seu irmão já falecido.
A delegada Lais Alves representou imediatamente pela busca e apreensão do menor. O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público e foi acolhido com celeridade pelo Poder Judiciário. O adolescente já foi encaminhado ao Centro de Socioeducação (Cense), onde permanecerá internado à disposição da Justiça.

Motivação do Crime: Vingança Familiar
No depoimento prestado à equipe de investigação da Polícia Civil, o menor revelou que o atentado foi motivado por um desejo de vingança decorrente de conflitos familiares ocorridos em $2024$.
De acordo com o jovem, o alvo principal e exclusivo do ataque era Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de $40\text{ anos}$, que permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Campo Mourão. O adolescente alegou que Veridiana teria coordenado uma agressão física contra a mãe dele no ano passado e que, posteriormente, seu irmão acabou assassinado.
Ao descobrir que a mulher estava na conveniência na noite de sexta-feira, o menor passou de bicicleta diversas vezes em frente ao estabelecimento para confirmar a presença do alvo antes de retornar a pé e efetuar a sequência de disparos que vitimou fatalmente Márcio Bertholdi Geraldo ($43\text{ anos}$) e Michael Zachytko Cavalcante ($38\text{ anos}$), além de ferir outras três pessoas.
Desdobramentos da Investigação e Perícia na Arma
A agilidade da Polícia Civil também permitiu delimitar a participação de terceiros logo nas primeiras horas de diligências:
- Mãe do menor: Presa inicialmente devido aos explosivos e entorpecentes achados na casa, foi liberada pela Justiça e responderá ao processo em liberdade.
- Namorada do menor: Foi investigada por suspeita de auxílio logístico na fuga, mas a hipótese foi completamente descartada após os investigadores comprovarem que ela desconhecia os planos do companheiro.
- Arsenal de Explosivos: Os artefatos de dinamite recolhidos pelo Esquadrão Antibombas seguem sob investigação. O menor alegou que os encontrou em um lago enquanto pescava, versão que a equipe de investigação apura com rigor para identificar o verdadeiro fornecedor.
A pistola de calibre $9\text{ mm}$ apreendida passará por exames de balística e microcomparação pericial no Laboratório de Química Legal da Polícia Científica. O objetivo é verificar se o armamento foi utilizado em outros homicídios ou crimes violentos recentes registrados na região de Campo Mourão.
Fonte: 16ª Subdivisão Policial (SDP) de Campo Mourão / Polícia Civil do Paraná


